Lembro-me bem da cartilha Caminho Suave, foi nela que se descortinou o pequeno mundo da escrita, em minha infância. Lembro-me de minha professora D. Lizete que tomava a lição que seguia basicamente o alfabeto e a cada capítulo novo eu me sentia orgulhosa e em pouco tempo comecei a ler.
Quando criança, lia tudo, havia na escola uma biblioteca com livros coloridos e lindas histórias, lia fotonovelas que minha irmã mais nova costumava comprar, até os encartes de discos de vinil, era delicioso ler as letras das músicas e poder cantá-las. Acredito que nos tornamos mais completos e como diz o poeta Drummond: "Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave?"
Na adolescência, também segui com o hábito da leitura, adorava ler tudo o que era pedido na escola: Maria José Dupré, Monteiro Lobato, José de Alencar, Machado de Assis, Lygia Fagundes Telles. Li muito no antigo ginasial, atual Ciclo II.
Quando passei para o ensino médio, li Eça de Queirós, Graciliano Ramos, Machado de Assis e outros americanos. Tinha vários amigos que escreviam, tive uma amiga do 2º grau que chegou a publicar na época um livro de poesias. Cheguei a arriscar alguns poemas e as minhas poetisas prediletas são: Cecília Meireles e Florbela Espanca. Acredito que isso tudo me motivou a fazer o curso de Letras.
Nos depoimentos me identifiquei com Marilena Chauí no trecho "O livro é um mundo porque cria mundos... Através do livro nos descobrimos e descobrimos os outros", realmente foi com os livros que viajei pelo mundo e também aprendi a enxergar o outro além das aparências. Com Newton Mesquita, no trecho "os livros me fascinam". Não sou consumidora excessiva, mas como Nina Horta: Os livros são minha tentação de consumo, toda vez que vou até a livraria é mais um/dois ou três que trago. Acredito que a explicação para tudo isso vem nas palavras de Antonio Candido "as produções literárias, de todos os tipos e de todos os níveis satisfazem necessidades básicas do ser humano, sobretudo através dessa incorporação, que enriquece a nossa percepção e a nossa visão de mundo... A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante", sinto tudo isso em minha vivência.